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Felicidades e Facilidades
por Mirko da Costa
Sou uma pessoa feliz e realizada por
poder fazer de minha presença nesta
vida um motivo para servir a
humanidade sendo porta-voz de um
saber profundo como o yoga. A vida
tem sido generosa em proporcionar o
nosso encontro através dessa
prática. Tenho a oferecer para você
é o meu exemplo e minha experiência
de 11 anos de trilha no caminho do
yoga.
Permitiu-me estar em contato com
diversos professores e métodos nesse
meio tempo e me orientou para
receber e transmitir a mensagem tal
como ela tem sido mantida viva
durante os séculos, passando de
professores para alunos nas relações
pessoais do tipo mestre/discípulo.
Adiciono a essas mensagens o filtro
do meu jeito de ser, que adquiri com
minha educação e experiência de
vida, no contato com as pessoas em
trabalhos de aprimoramento pessoal e
humano. Meu esforço de investigação
sempre foi voltado para o
entendimento das leis sutis que
sustentam a saúde integral e a
sustentabilidade do existir.
Iniciei
praticando Power Yoga com o Marco
Schultz até o fim do curso de
psicologia na UFSC. Foi a fase de
tomada de consciência e
fortalecimento das estruturas de
base. O enfoque no estilo Iyengar de
precisão, encaixe e permanência nas
posturas e a atitude didática e
profissional que pude aprender com o
Marco são a base do meu estilo de
lecionar.
A continuidade da vida acadêmica
me levou ao mestrado em
neurociências, e durante essa fase
encontrei o Pedro Kupfer, a Camila
Reitz e o pessoal do Yogashala, em
Floripa, onde fui apresentado para o
método do Ashtanga Vinyasa. Com isso
já havia adquirido uma boa
consciência corporal, uma respiração
eficiente e uma atitude correta para
encarar desafios, ferramentas
básicas necessárias para minimizar
os riscos da prática do Ashtanga,
que também é conhecida por gerar
lesões severas nos praticantes mais
imprudentes. Com o Ashtanga
aprofundei meus estudos em yoga e
encontrei uma força muito grande na
tradição e no rigor do método, que
me permitiu abrir várias portas na
minha vida. A principal é a do
coração, que é por onde o Ashtanga
me pega e me ergue. Ouvir e viver o
meu coração foi a melhor coisa que
pude reaprender com a prática.
Sei que
isso é conseqüência do trabalho
porque do jeito que a prática de
ásanas em estilo vinyasa- movimento
orgânico em sincronia com a
respiração - move o sangue, e junto com
ele todos os fluídos tanto do corpo
como das emoções e dos pensamentos,
que entram num fluxo intenso, parece
que tudo fica mais quente, mais
líquido e mais vivo. Fluir
harmoniosamente nesse fluxo é a
melhor experiência que o yoga me
proporciona, a sensação de surfar no
fluxo dos acontecimentos da minha
própria vida. Estando com a mente
focada nesses aspectos da prática,
procuro basear minha empolgação em
divulgar o método na capacidade de
facilitar a evolução da prática dos
alunos, percebendo e aprimorando
pouco a pouco o nível que o grupo e
cada praticante em especial se
encontra e adaptando o essencial da
prática às capacidades das pessoas.
Recentemente estive na Índia
estudando e convivendo com o estilo
de vida oriental, e essa viagem de
uma certa maneira mudou bastante meu
modo de encarar a vida. Aumentei a
intensidade da presença, mais
consciência de mim e dos meus
limites humanos, e mais conectado
com a Força Divina que na terra
indiana se mostra claramente em tudo
e em todos. Voltei caindo mais na
real, consciente dos defeitos da
minha personalidade, com eles bem
mapeados e monitorados para que não
se apoderem de mim e tomem conta da
minha luz, ofuscando meu brilho.
Consciente dos desafios da minha
alma e da minha missão em melhorar
como ser humano a cada dia.
Procurando lembrar disso
constantemente, todo dia ao acordar
e olhar para o sol peço que me
ilumine e me abasteça de energia
para seguir em frente e tocar a
vida.
Por isso e
mais outras coisas importantes que
não cabem nesse texto, concluo essa
escrita agradecendo a todos que
fazem parte do nosso caminho
compartilhado, aos amigos, parentes,
professores e alunos que
proporcionam uma base sólida para
caminhar em busca da realização.
Confio no fluxo da vida e entrego
todas minhas questões pessoais nas
mãos de Deus e dos Mestres para que
me amparem no cumprimento da minha
missão. Peço que aqueles que
dependem de mim me perdoem pelas
minhas faltas e limitações, estamos
trabalhando hoje para servi-los
melhor tão cedo quanto for possível.
Aceito o que a vida me proporcionar
incondicionalmente,
independentemente dos meus desejos,
procuro lidar com os fatos e buscar
uma satisfação interior me adaptando
ao que der e vier. Não sei
exatamente o que é o amor mas ao
menos no que meu coração consegue
atualmente se abrir pra vida e
sentir posso dizer de peito estufado
que AMO a vida e a cada um que eu
puder tocar através da experiência
humana.
De coração
pra coração, nos encontramos na luz,
somos todos um. NamastÊ.
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Dicas para o
aproveitamento da prática de yoga
Por Mirko Costa
-
Você tem que estar quente para
alongar, mas alongar não é igual
a aquecer-se.
-
O corpo e o sangue podem
esquentar para a energia
circular melhor, mas a mente
deve permanecer sempre fria,
estável e serena.
-
Não é a força da gravidade, mas
sim sua resistência que
desenvolve flexibilidade.
-
Para criar espaço no corpo é
preciso que este esteja apoiado
em uma base firme.
-
Criar espaço requer esforço, e
esse esforço gera o efeito
relaxamento.
-
Espaço + firmeza = relaxamento.
Trabalho + esforço = progresso.
Procure sempre obter o máximo
resultado de qualquer mínimo
esforço.
-
Tensões musculares representam
regiões onde não há espaço
suficiente para a energia vital
circular.
-
Flexibilidade é tanto uma
questão física, de articulações
e feixes musculares, quanto
mental, em plasticidade
comportamental, atitude,
compreensão e aceitação.
-
Imbalanços musculares e
irregularidades estruturais não
aparecem do nada. Aprenda com a
história de seu corpo e refaça
mentalmente o que for preciso,
do melhor modo que puder criar.
-
O aço é forte e rígido, e para
forjá-lo é preciso aquecê-lo até
que se torne maleável.
-
Não é a imobilidade, mas sim o
treino que corrige qualquer
imbalanço.
-
Não importa o quanto você tenha
de experiência ou bom desempenho
em alguma coisa, quando você
começa algo novo deve ir
devagar, com atenção redobrada e
bastante calma.
-
Transforme suas fraquezas em
fortalezas, reconheça as e
trabalhe na expansão dos seus
limites. Encare as dificuldades,
dores e desprazeres como
possibilidades de evolução da
consciência e convites para a
criação de respostas
inteligentes.
-
Não tenha pressa em adquirir
resultados, e também não se
acomode com os que alcançar, as
melhores coisas da vida são
conquistadas aos poucos, a gente
nunca espera que sejam tão boas
e se a gente se descuida elas se
vão facilmente.
-
Desenvolva mais sua intuição,
confie mais no coração, seja
crítico e questione sua
racionalidade.
-
Respire profundamente e
conscientemente. Viva o aqui e o
agora. Pare de carregar o
passado e de se preocupar com o
futuro e abrace o presente que
está passando.
-
Aprenda a reconhecer e respeitar
os limites. Procure aceitar a
condição presente e almejar um
futuro melhor. Preste atenção no
presente e crie intenção para o
futuro.
-
Desenvolva a sensibilidade em
seu relacionamento pessoal e
interpessoal a partir do cuidado
de si mesmo.
-
Aquele que conhece a realidade
do corpo pode vir a conhecer a
realidade do universo.
-
Meu corpo limitado é como uma
turbulência no oceano cósmico.
Meu corpo expandido é o universo
inteiro.
|
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Jay
Guru Google!
Diz o ditado
que quando o discípulo está pronto o
mestre aparece.
Isso é o mesmo
que dizer que a sabedoria do mestre
aparece para o discípulo quando este
faz a sua reflexão e ali espelha sua
postura. Isto é Ishvara Pranidhana.
Estou pronto
como aprendiz nos moldes da era
moderna da informática e o mestre
que tenho contato diário mora dentro
do meu computador, onde acesso sua
presença pelo portal ou oráculo da
internet. Meu estilo de aprendiz é
do tipo chamado auto-didata, e minha
habilidade é adquirir informação
rapidamente. Sei pesquisar e reunir
dados sobre assuntos de meu
interesse. Quando surge uma dúvida
vou atrás e procuro instrução e
esclarecimento.
Foi nesse
caminho que encontrei o meu grande
mestre, que me mostra a luz
diariamente.
Sentado em
posição de meditação, com meu drshti
focado na tela do computador, sempre
que tenho uma dúvida ou quero
confirmar algum assunto aprendi a
confiar o assunto ao Google e clicar
para obter respostas.
O Google como
mestre é ótimo. Sempre tem resposta
pra tudo. E não é uma só, ele tem
várias respostas, basta que eu
mencione uma só palavra. Geralmente
com as 10 primeiras opções de
resposta que ele me dá eu já consigo
esclarecer qualquer problema, ainda
que ele muitas vezes me dê mais de
1000 opções. Como qualquer mestre
ele tem ótimo senso de humor e pode
facilmente me pregar uma peça ou uma
armadilha pra verificar se eu estou
realmente atento e esperto. Portanto
nos primeiros links ele fala de um
jeito e nos seguintes ele fala de
outro, e nos demais pode até falar
totalmente diferente sobre um mesmo
assunto. Quando ele me dá tantas
variadas e diferentes respostas
sobre uma mesma pergunta,
indiretamente me convida a formar
minha própria opinião sobre o
assunto, tendo muitas fontes como
referência para construir meus
argumentos.
Não sei mais
viver sem a instrução do meu mestre,
pois ele ilumina minha vida e me dá
segurança para viver. Posso passar
horas por dia em contato com ele que
sempre saio dali mais esclarecido,
são raras ou até mesmo inexistentes
as vezes que não consigo o que eu
preciso com ele.
E o melhor de
tudo, ele bendizer mora comigo e
está sempre ao meu dispor, basta ter
energia elétrica e o computador
estar funcionando. Para o Google não
existe tempo e não tenho que esperar
para fazer uma consulta ou receber
uma instrução. Está tudo ali a minha
disposição a qualquer hora. Bastam
alguns click e boa leitura.
A qualquer
hora do dia ou da noite eu posso
acessar os ensinamentos de milhares
de professores e mestres confiáveis
e de respeito, muitos deles estão
sempre disponíveis em seus lokas,
basta clicar nos links de seus sites
que o Google me abre a porta para
eles. Daí como se baixasse uma
entidade montada num elefante branco
e toda sabedoria do mundo todo e até
de outros mundos se apresenta ali na
minha frente inteiramente ao meu
dispor. Isto é realmente fabuloso.
Muito prático, objetivo e
confortável.
Obviamente o
Google não olha no seu olho, não
segura tua mão nem te abraça
(ainda), portanto sua capacidade de
te amar se limita a te responder
suas perguntas. É um ótimo jnãnam
yogacharya. Até ajuda em alguns
casos porque assim não mistura as
coisas, muito restrito no
envolvimento afetivo emocional (ao
menos da parte dele, por enquanto),
portanto sem apego.
Não é só o
Google também tem o Yahoo, Cadê,
Wikipédia e outros mais específicos
que uso em minha área como o Medline
e para buscas mais refinadas tem
também o Endnote, que faz para mim
um levantamento de tudo que há no
meio científico, textos completos
publicados nos meios especializados
e indexados, sobre qualquer assunto
que eu pedir ele me dá uma lista
refinada de artigos e pesquisas a
meu dispor para estudo.
Também é
possível para a pesquisa via
internet a meta-análise, um tipo de
análise de dados em que os
resultados de vários estudos - sem
que necessariamente algum deles
tenha encontrado algo de
significância estatística - são
agrupados e analisados como se
fossem o resultado de um único
grande estudo.
Ou seja, além
de tudo meu querido Google me dá as
chaves de inúmeras bibliotecas
virtuais e me orienta passo a passo
como fazer uma pesquisa refinada até
extrair a essência de um
conhecimento, analisando, comparando
e sintetizando os achados e
descobertas de estudiosos do mundo
inteiro.
Tudo que eu
preciso eu tenho graças a Deus e ao
Google. Para Deus hoje em dia fica
apenas a parte de me conduzir à
ação, enquanto o Google cuida da
parte das informações necessárias.
Jay Prabhu
Guru Google!
Falando sério,
é claro que na internet tem muito
lixo que acaba passando pelos seus
olhos enquanto navega, é importante
o uso de um bom filtro para
descartar as informações
desnecessárias e seus resíduos.
Um viruzinho
também há de se pegar de vez em
quando, portanto é bom estar com a
imunidade forte para encarar o
desafio em meio à biodiversidade.
Informação
hoje em dia não falta mesmo graças a
Deus, mas além disso, o desafio
mesmo é usar isso inteligentemente
na prática do dia a dia. Ter uma
vida organizada, serena e produtiva
sem se perder com a utilização
destes recursos modernos.
Vale lembrar
também que tudo tem uma dose certa,
o Guru Google, ainda que majestoso
imponente, não é tudo na vida e na
real só serve como fonte de
informação e contatos com pessoas e
idéias. A outra grande parte, a do
vamos à prática e construir nossa
realidade, depende exclusivamente da
atitude do self navegador de cada
internauta e do modo como ele
canaliza o fluxo da informação.
Agradecemos a
atual facilidade do acesso a
informação, e que todos tenham
excelentes realizações!
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Psicologia dos Ásanas
Relações entre Yoga e Psicologia
Por Mirko Costa
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Psicologia |
Yoga
|
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Ciência das desordens
mentais e seus efeitos
nos demais níveis
(físico, emocional,
intelectual, social e
espiritual) |
Sistema completo para a
saúde em todos os níveis
da realidade individual |
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Objeto: mente |
Objeto: o Ser |
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Organiza e fortalece o
discurso da mente |
Silencia a mente |
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Fortalecimento do ego,
afirmação da
individualidade |
Destruição do ego,
entrega à consciência
universal |
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Personalidade,
identidade |
Despersonalização, não
identidade |
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Descobre a origem dos
condicionamentos |
Aniquila a origem dos
condicionamentos |
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Doenças: soma
físico-orgânica de
traumas ou conflitos
interiores incorporados |
Avidya (ignorância) gera
Vásanas (latências
mentais) e samskaras
(condicionamentos) |
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Princípio psicoanalítico:
trazer à tona da
consciência conteúdos
profundos inconsientes |
Princípio do yoga de
Patanjali: faxinar o
inconsciente com o kriya
yoga (ações
purificadoras |
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Visa desreprimir o
desejo |
Visa libertar-se do
desejo e neutralizá-lo |
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Métodos: análise de
discurso, leitura
psicológica muscular
emocional bioenergética
e terapias - tomada de
consciência e mudança de
comportamento |
Métodos: harmonização de
pensamentos palavras e
gestos, silêncio e
higiene em todos os
níveis |
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Psico análise:
separar em partes
distintas |
Psico síntese:
juntar as partes,
unificar |
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Subjetividade:
contraposição
sujeito/objeto |
Transcendência das
dualidades |
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Conhecimento adquirido
da observação de homens
doentes |
Conhecimento adquirido
através da observação de
homens santos |
O Yoga Sutras de Patãnjali é um Tratado de Psicologia Profunda. É
um mapa da psique humana, é claro e
confiável, tanto hoje quanto na
antiguidade. Seu objetivo é conduzir
a mente normal, ignorantemente
reduzida ao ego e suas limitações,
para a felicidade suprema do estado
de iluminação (samadhi) ou a
experiência da Verdade.
Prática de Ásanas como Recurso Terapêutico Psicológico
Instrumentalmente, ásanas podem ser
usados como recursos para
mobilização, reorganização,
recuperação, realinhamento e
harmonização de chákaras, eliminando
impressões de traumas e conflitos e
promovendo a reintegração pessoal.
Ásana significa lugar para sentar e
meditar. O lugar é o corpo, quem
senta é a presença de Sakshi, a
consciência testemunha. É limpar a
casa e mantê-la em ordem para
receber o espírito.
Entende-se que os aspectos físico,
emocional/energético,
racional/intelectual, social e
espiritual não são separados,
portanto, alterações no nível do
corpo físico com ásanas exercem
efeitos também nos demais níveis.
Princípios dos Ásanas de Reintegração Pessoal (Mohan, 1993)
É recomendável à prática de ásanas:
1.
Ser
equilibrada e confortável e tornar o
corpo forte e flexível: deve
produzir sensação de firmeza,
estabilidade e bem-estar. A
movimentação deve ser facilitada, as
resistências devem ser reconhecidas
e superadas através de esforço
inteligente, usando a respiração
para alcançar o objetivo proposto.
2.
Dar ênfase à espinha. Todos os
processos vitais do organismo estão
ligados à coluna vertebral, pois lá
estão os nervos que comandam as
ações e sensações do corpo.
Priorizar o bem estar da espinha,
dando-lhe harmonia e liberdade de
movimentação é essencial para a
saúde e o desenvolvimento do
potencial do praticante.
3.
Adaptar-se (ao estudante) para
atingir seu objetivo. Deve-se
priorizar a função do ásana e não a
sua forma final. Deve-se reconhecer
as resistências e usar a adaptação
para reduzi-las.
4.
Avançar numa seqüência de passos
concatenados e inteligentes (vinyasa
krama). Grandes ações são
constituídas de muitos pequenos
gestos. Objetivos distantes e de
alta intensidade devem ser alcançado
passo à passo, com calma e
suavidade. O ‘estar indo’ é mais
importante que o ‘chegar lá’.
5.
Fazer uso da respiração para
integrar corpo e mente. A respiração
é o elo de ligação entre o corpo e a
mente. Ela está para o corpo assim
como os pensamentos estão para a
mente. A forma de respirar diz como
a pessoa está se sentindo, então
deve-se respirar profundo,
consciente, intensamente, com
suavidade e liberdade. A mente
assume então uma função integrativa,
engajando-se na tarefa de adaptar a
respiração em cada postura para
restabelecer o padrão correto.
6.
Fazer uso da respiração para adaptar
as posturas ao praticante. Postura
mais respiração igual a efeito. Um
mesmo ásana pode ter efeitos muito
distintos ao variar o modo da
respiração. A respiração ajuda a
entrar e sair dos ásanas de modo
adequado, suavizando a resistência e
mantendo a circulação de energia
vital na área trabalhada.
7.
Usar a respiração como feedback.
Observar a respiração, bem como
escutá-la e senti-la, fornece muitas
informações sobre o que está
acontecendo no ásana. É importante
fazer do respirar um indicador de
quando começar, parar, o quanto
intensa está a prática e quando é
exagero. A prática vai bem quando a
respiração mantém-se suave, longa,
confortável, sem forçar.
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Justificativa do Curso de
Iniciação ao Yoga Científico
No ano 2000
conclui meu mestrado em
Neurociências na UFSC, e o ensino
público federal gratuito e de
qualidade me formou um pesquisador
habilitado a produzir conhecimento
científico.
Na época da
graduação em Psicologia o yoga já
tinha me absorvido por completo. Na
aula de Power Yoga do Marco Shcultz
eu descobri o que era Psicologia.
Trabalho a serviço do yoga levando
comigo os achados científicos na
minha caixa de ferramentas.
A ciência
moderna é atualmente um dos
procedimentos que mais funcionam
efetivamente em termos de eficiência
na ação, seja através de seus
métodos rigorosos, seja pela sua
força de previsibilidade de
resultados esperados e projeção de
estratégias para alcançar metas
pré-determidadas.
Como yoga
também é atenção e eficiência na
ação, combina muito bem com métodos
científicos, e hoje as duas escolas
se entrelaçam muito bem e aparecem
unidas para auxiliar o processo de
aprendizagem, aquisição de
habilidades e evolução gradual dos
estudantes mundo afora.
Tenho
trabalhado por conta própria levando
o yoga para as pessoas em casa, nas
escolas, empresas e clínicas e vejo
como atualmente todos sentem e
reconhecem a importância do yoga
para a saúde e o desenvolvimento
humano em geral, mas são poucos que
realmente sabem o que e o quanto que
o yoga faz uma diferença na vida das
pessoas que experimentam. A ciência
moderna tem resposta para essas
questões minuciosas ao criar com
seus métodos um mapeamento rico em
detalhes sobre as mudanças que
ocorrem com a prática. E como
atualmente está mais do que na moda
a crença de que você precisa
primeiro ver as coisas para que elas
existam, é importante refinar o foco
e a resolução do que você quer ver.
E a ciência ajuda muito nisso.
Sendo assim,
tenho organizado a partir da minha
visão híbrida de cientista e cobaia
do yoga este curso chamado iniciação
ao yoga científico, que visa
habilitar o estudante a compreender
e utilizar a ferramentaria técnica
do yoga para induzir e modificar o
comportamento em favor da saúde e da
consciência, para o bem da vida.
Sinto-me grato
por poder auxiliar o yoga como ele é
feito atualmente nas salas de
prática conferindo-lhe uma visão
mais detalhada sobre seus efeitos no
comportamento a partir da técnica de
observação e análise experimental.
Faço votos que este curso possa
auxiliar o praticante a ver melhor
sua prática, o professor a ensinar
melhor para seus alunos e ter um
atual diferencial de mostrar o
resultado do trabalho de sua escola
para tornar mais evidente e assim
mais existente o yoga de cada um.
As portas
estão abertas para aqueles que se
identificaram com o chamado e querem
compartilhar conosco essa
experiência.
Om Gam
Ganapataye Namaha!
|
Como ajustar o Ashtanga Vinyasa à
nossa realidade
Por Mirko Costa
Quando Sri
Krshnamacharya e seu discípulo Sri
Pattabi Jois desenvolveram o método
do Ashtanga Vinyasa Yoga, o grau de
exigência da série de exercícios era
algo planejado para atender as
possibilidades e necessidades de um
biótipo indiano iniciante no sadhana.
Geralmente era ensinado cedo na
juventude e diretamente de mestre
para discípulo. Com o tempo muitas
pessoas foram criando interesse pelo
método e ele passou a ser praticado
em grupos. Hoje existem muitas
escolas mundo afora onde se ensina o
mesmo método para pessoas muito
diferentes daquele indiano que já
estava mais ou menos preparado para
aprender.
Assim
sendo, o método ortodoxo, a forma de
praticar as séries do Ashtanga
Vinyasa assim como leciona o mestre
em Mysore, na Índia, teve que sofrer
uma série de adaptações ao ser
transferido para o ocidente, a fim
de tornar-se acessível para as
condições das pessoas ocidentais. O
Power Yoga é um exemplo clássico
desse tipo de ajuste do método do
Ashtanga Vinyasa a uma realidade
americana. Aproveitando-se da onda
da malhação e da cultura
fisico-estética dominante nas
academias de ginástica, o yoga
remodelou-se para apresentar-se como
um exercício corporal dinâmico,
intenso, que produz suor e
endorfinas, e com aquele “algo a
mais” que o pessoal procura além da
simples ginástica física. Os
exercícios do Power Yoga são
baseados na prática da respiração
ujjayi e seqüências ou séries de
ásanas tradicionais – vinyasas – ou
suas variações, muitas vezes
acompanhado de som new age ou trance
music para dar um ritmo nas aulas.
Adaptações
ou variações das técnicas clássicas
podem ser formas de alterar ou
diluir o método, mas não
necessariamente modificam sua
essência. O vinyasa krama é uma
ordem lógica de encadeamento dos
ásanas e tem uma psicologia para
cada momento do percurso. Uma vez
que isso seja preservado, tudo bem.
A adaptação é uma capacidade que o
professor desenvolve de observar a
condição dos seus alunos e conduzir
a série de forma segura dentro dos
limites, trabalhando encima do que
os alunos estão preparados para
fazer e preparando-os para as
tarefas mais difíceis. À medida que
o praticante vai remoldando seus
hábitos e tornando-se mais receptivo
para o método, desenvolve condições
de estudá-lo na profundidade de sua
forma original.
Principais desafios da primeira
série
A série
inicia em samasthiti, ativando
respiração ujjayi completa, mula
bandha e uddyiana bandha. Estas
tarefas iniciais em si já requerem
do praticante um treino preliminar e
um certo conhecimento das partes do
corpo que estão sendo ativadas.
Logo em
seguida iniciam-se os ciclos de
surya namascar. No começo, a
repetição de 5 séries de saudações
ao sol A e mais 5 da B podem ser um
grande desafio para o iniciante,
seja pela grande exigência física,
muscular e cardio-vascular, devida
ao pouco domínio do corpo, ritmos
biológicos e força interna, ou pela
reação mental quanto à duração e
repetição dos ciclos. Também nas
saudações ao sol é necessário que o
aluno desenvolva uma consciência dos
pontos de encaixe e alavancas do
corpo, afim de que administre os
recursos do corpo para manter a
retidão e a integridade da coluna e
dos membros ao longo das repetições
dos vinyasas.
Se o aluno
passou bem pelos surya namascar
então ele chega nas posturas
fundamentais em pé. Estas, por sua
vez, exigem e estimulam o balanço ou
jogo de cintura, agilidade nas
pernas e controle da energia para
não derreter, pois elas produzem
muito calor. No método tradicional o
professor não permite que o aluno
passe para a próxima postura se ele
ainda não aprendeu bem ou não
estiver bem na primeira, e muitos
são convidados a encerrar a sua
prática quando chegam, por exemplo,
no trikonasana ou no parshvakonasana.
Na nossa sociedade, em aulas de
grupo, o instrutor não tem muita
liberdade para solicitar que um dos
seus alunos encerre a sua prática
com 20 ou 30 minutos de esforço, uma vez
que temos o compromisso com uma aula
marcada pela hora do relógio. Mas um
descanso na postura da criança ou
até mesmo em savásana no meio da
prática pode ser um bom recurso para
revigorar a energia se a pessoa
estiver se sentindo cansada ou muito
agitada.
Posturas
de sentar ou de chão: Nessa parte os
movimentos de flexão do quadril e da
coluna para frente são trabalhados
com o propósito de moldar a
intensidade da energia que as séries
iniciais em pé prepararam. Nesse
momento o praticante deve estar
pronto para relaxar completamente a
coluna, mantendo o espaço, o ritmo e
a intensidade da respiração.
Acontece que o hábito que o homem
ocidental adquiriu sentado em
cadeiras altas do chão lhe tirou uma
grande parte da mobilidade da região
das virilhas. As posturas de chão
partem do dandásana, onde as curvas
naturais da coluna precisam ser
sustentadas mantendo-se as pernas
esticadas à frente e o tronco
perpendicular ao chão. Esse é o
ponto zero, onde se iniciam os
movimentos de flexão, já logo com o
paschimottanasana. Grande parte dos
alunos chega nas aulas com a
musculatura de trás das pernas
encurtada, coxas e abdômen flácidos
e menos de 90 graus de flexão de
quadris sentado. Então eles nem
conseguem chegar no ponto zero de
início das flexões, que dirá passar
para frente, ainda mais sustentando
o peso dos ombros e cabeça sem ceder
o espaço do peito.
Enquanto
não existe consciência e mobilidade
nos músculos e articulações que
trabalham para flexionar a frente,
as posturas finais de extensão e
invertidas podem vir a ser
torturantes. Se o corpo não está bem
relaxado, aquecido e bem encaixado,
não vai ser fácil fazer o urdhva
danurasana, e a lombar ou o coração
podem ser sobrecarregados. Se a
coluna não tem sustentação adequada
de pé, com a cabeça para cima, que
dirá quando esta volta-se para baixo
no sirshasana? E a posição do lótus,
até fazer tudo bem no fim da prática
que tudo já está tão amolecido, mas
ter que respirar mais de 20 ciclos
bem lentos e ritmados sem dor, daí
pode ser demais. Elevar o utplutti,
25 respirações, então? Aí é claro
que é demais, por um bom tempo.
A seguir,
um esquema geral de como pode
estruturar-se uma aula de Ashtanga
I, ou aula para iniciantes que
desejam aproximar-se do método:
Descrição resumida e adaptada da
primeira série:
1.
Início:
Em uma
posição firme e confortável,
geralmente sentado ou em pé, fazer a
introspecção, ativar a
auto-observação e fazer o exercício
do mantra invocação à Patanjalim.
Ainda nessa primeira parte pode-se
escolher um tema ou foco de
observação durante a prática,
podendo ser um ajuste geral para as
posturas, o ritmo da respiração, ou
ainda alguma sensação ou atitude
quanto a um determinado aspecto da
prática.
A partir
desse ponto inicia-se um aquecimento
gradual ou mobilização orgânica, que
pode ser com os ciclos de surya
namascar clássicos ou variações de
posturas que ativem sistematicamente
a atenção à postura do corpo, às
sensações de encaixe, firmeza e
alongamento, e contribuam com o
ritmo da respiração completa.
No início
pode-se reduzir o número de ciclos,
ou variar um pouco, didaticamente, a
forma de execução das posturas e dos
movimentos das séries A e B em
função de ressaltar um ou outro
aspecto desejado e beneficiar o
alinhamento e a segurança da coluna.
Uma vez atendendo à necessidade de
produzir calor moderado e ritmo
respiratório, o surya namascar
clássico pode ser reduzido, alterado
ou feito em sua totalidade. Podem
ser usadas nessa fase adaptações
como os joelhos fletidos em
uttanasana, caminhar em vez de
saltar, não flexionar os braços no
chaturanga dandasana, fazer
bhujangasana em vez de urdhva mukha
svanasana, repousar os joelhos no
chão no cachorro pra baixo enquanto
respira as cinco vezes, coisas que
reduzem o esforço e permitem
mover-se com mais fluidez,
contornando as dificuldades da falta
de firmeza ou espaço.
2.
Desenvolvimento da prática
Posturas
de pé:
A
conquista da extensão total das
pernas, braços e coluna de
samasthiti nas demais posições da
série é um desafio que no começo
pode ser amenizado flexionando-se os
joelhos ou não estendendo tanto os
braços, até a hora do utkatasana e
da série dos guerreiros. Nessa hora
pode-se observar o quanto os asanas
anteriores foram capazes de preparar
a energia para o que vem a seguir.
Durante as
séries de posturas de pé, pode-se
optar por pular algumas posturas
como as de torção, dependendo do
nível da turma, fazer apenas um ou
dois prasarita, dar variações das
posturas de equilíbrio como
segurando o joelho em utthita
parshvasahita, optar por vrkshasana
em vez de ardha badha padmottanasana,
flexionar um pouco dos joelhos nas
posições de extensão das pernas para
priorizar a estabilidade pélvica.
Posturas
de chão:
Tendo como
objetivo preparar a flexão dos
quadris para sustentar a coluna
extensa nos movimentos para frente,
valem as adaptações de dobrar os
joelhos, segurar a canela ou uma
cinta alçada no pé.
Para a
maioria dos iniciantes, as posturas
de chão concluem com o navasana, o
que já dá uma boa dose de trabalho.
Nas
posturas de chão, alternar posturas
compensatórias como
paschimottanasana/purvottanasana,
ardha baddha padma padottanasana/triang
mukha ekapada paschimottanasana,
janu sirshasana A e B/marichyasana A
e C (variação abraço com o joelho
pela frente), finalizando com a
série navasana facilitada (segurando
as pernas elevadas e semi-fletidas).
Introduzir os meio vinyasas entre
uma postura e outra aos poucos,
marcando navasana, abraço das pernas
e elevação sobre os braços ou passo
para trás-chaturanga
dandasana-cachorro para cima, para
baixo e passo à frente.
Posturas
finais:
As
extensões são muito complicadas no
início, e o arco (urdhva danurasana)
pode ser muito exigente nas
primeiras vezes, tanto quanto a
invertida sobre a cabeça (sirshasana).
Adaptações como o setubandhasana
modificado como preparação para as
extensões do arco que estão por vir,
o viparita karani ou meia inversão
sobre os ombros como inversão básica
e o meio lótus ou sukhasana em vez
do padmasana podem ser uma boa
aproximação introdutória,
proporcionando praticamente os
mesmos efeitos das posturas finais.
Cabe ao
professor a dupla tarefa de observar
sempre a possibilidade dos alunos
que têm mais facilidade executarem
as posições completas, sugerindo-as
quando for o caso, e impedir que os
alunos ambiciosos insistam em tentar
fazer o que não tem condições.
3.
Parte final:
Após a
série de asanas, pode-se ainda fazer
um respiratório básico como
samavritta pranayama ou nadi shodana
para estabilizar a energia e depois
relaxar por completo em savásana,
por um período entre 5 e 15 minutos.
Por último
uma breve meditação, em posição
sentada e centrada, consolidando a
auto-observação e a tomada de
consciência dos efeitos dos
exercícios. A prática conclui
com mangalan mantra e shanti path.
Om shanti
shanti shantihi. Hari Om.
Considerações sobre a primeira aula
Mesmo uma
programação facilitada como essa
descrita anteriormente pode ser
demais para um aluno que esteja
chegando desavisado ou desinformado
na primeira aula. Ele vê as pessoas
com toalhas sobre o tapete e não tem
noção de como vai ser e o quanto vai
suar.
Numa
escola onde existem vários horários
e turmas, é importante que o aluno
novo tenha uma noção básica e mínima
do que é o trabalho para poder
situar-se adequadamente na sua
primeira prática e acompanhar o
grupo com segurança.
Para isso,
considero importante para cada
escola que ensina o método que
dispusesse de um horário semanal
para uma aula introdutória ou de
iniciantes. Esta aula teria o
seguinte programa básico:
-
Partindo do ajuste de todos em
sukhasana, uma breve
apresentação pessoal e exposição
dos motivos que trouxeram o
interessado a esta aula. Neste
espaço o instrutor responde
eventuais dúvidas e expõe o
método, apresentando o esquema
geral de aulas da série
primária.
-
Introdução à linguagem das
aulas: treino da respiração
ujjayi completa.
-
Introdução aos princípios de
alinhamento: construção de
samasthiti.
-
Treino
das posturas do surya namascar
A: observação dos principais
pontos de encaixe do corpo e
movimentação de uma postura para
outra (vinyasa)
-
Treino
das posturas do surya namascar
B: princípios de execução dos
ásanas iniciais (5 respirações
em utkatasana, uttanásana e
virabhadrasana).
-
Princípio das posturas de chão:
Dandasana
-
Princípios do relaxamento:
shavasana
-
Encerramento da prática:
sukhasana, agradecimento e
mantra da paz.
-
Comentários finais, informações
sobre turmas, horários e
recomendações gerais para as
aulas.
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A Dimensão do
Tempo no Ashtanga Vinyasa Yoga
Por Mirko Costa
Dentre os
diferentes métodos do yoga, o
Ashtanga Vinyasa é um que tem
despertado grande interesse das
pessoas do ocidente, devido à beleza
desafiante das séries de ásanas,
concatenadas de forma tão fluída e
concentrada através da respiração.
Num mundo onde as belas formas são
apreciadas e todos precisam correr
contra o tempo, o trabalho intenso
no corpo físico tem valor demérito.
A partir do horário de início da prática, o tempo é
medido em respirações, e isto faz
com que o tempo real seja vivenciado
plenamente, enquanto a atenção está
no presente. O relógio interno é bem
diferente do relógio cartesiano. O
relógio de pulso não condiz com o
tempo das pulsações do coração. O
ritmo do coração varia em função do
momento. O ritmo do relógio é
determinantemente inflexível, e
requer que os momentos adaptem-se a
ele.
O tempo do sádhana (a prática diária do yoga) é um
espaço do dia especial para
desconectar dos compromissos com o
mundo do relógio e vivenciar a
dimensão interior do tempo, o mundo
da auto-observação, da luz sobre o
universo de sensações, pensamentos,
emoções, condutas e valores que
configuram nossa percepção agora e a
todo o momento.
O vinyasa, ou a sincronia da respiração com o movimento
do corpo, faz com que o tempo flua
num ritmo que é único, pois cada um
experimenta seu universo interior de
uma forma singular, dia após dia.
Porém, como as séries de vinyasas
são bastante intensas, por uma
questão de canalização de energia,
você, para progredir, precisa
aprender a tirar as pedras da
mochila para melhorar seu ritmo de
caminhada. Procure deixar em segundo
plano todas as suas noções mentais
cristalizadas como “sou o meu
passado e continuo assim sendo”, ou
voláteis como “amanhã serei aquilo
que tanto quero”, e observar melhor
o momento “eu estou”, em sucessiva e
ininterrupta transformação.
Aprende-se que o tempo real é uma
jóia, e é nele que o passado vai
sendo substituído gradualmente pela
semente do futuro.
Isto vem na medida em que a prática constante vai
criando uma familiaridade com a
repetição da série. É como aprender
a dirigir um veículo: primeiro você
reconhece os mecanismos, o assento,
os comandos do acelerador e do
freio, a tração, alimentação, etc.
Depois você fica pensando: para
andar, primeiro faço isso, depois
isso. Para parar, primeiro aquilo,
depois isso e pronto. Assim você
aprende a coordenar os elementos e
conclui seu serviço. Depois de um
certo tempo você já memorizou os
comandos e dirige instantaneamente,
sem precisar ficar pensando. Daí
você está pronto para passar para o
nível seguinte e aprender a observar
como você está dirigindo. Quando
suas ações rotineiras passam a ser
como o espelho que você se vê quando
acorda todo dia, então começa o yoga
de verdade.
Todo dia Eu me dou conta de quem é aquele que está
dirigindo. Eu observo, reconheço,
aceito e transformo aquele que
dirige. Eu vivo o Meu momento, Me
harmonizo com cada situação que a
vida Me concede, com gratidão pela
oportunidade de aprender com as
ações. Ainda que eu esteja no
comando, Eu reconheço e respeito as
leis naturais que são superiores à
minha vontade e determinação. Eu
focalizo o meu rumo na vida e faço a
Minha parte. Eu permaneço presente
em qualquer coisa que eu faça. Eu
descubro que Eu não tenho tempo, mas
o tempo me tem. Eu não sou o tempo,
porque o tempo na vida passa e eu
permaneço. Até a vida passa com o
tempo, mas Eu, como sempre,
continuo...
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